Madonna encontrou Michael Jackson pela última vez no Brasil
por Romulo Araujo
Em 93, como todos nós sabemos, o nosso país recebeu 2 megashows com um pequeno intervalo de tempo. Madonna e Michael Jackson fizeram a alegria e comoção dos brasileiros nas suas melhores fases artísticas (ok, Michael teve outras fases incríveis ao longo da sua longa carreira, mas eu adoro o Dangerous) mas parece que esse encontro delicioso de ícones do pop estava fadado a nunca mais acontecer.
Enquanto o Dangerous parou a cidade de São Paulo, com muita comoção que sempre é ligada ao trabalho do astro, Madonna não se conteve em ficar apenas por São Paulo e veio dar pinta no Rio também, afinal de contas Sampa pode ser incrivelmente bem sucedida economicamente, mas o Rio é a cidade maravilhosa, né?
Histéria versus polêmicas, talento nato versus marketing pessoal. Os nossos ícones pop sempre usaram e abusaram do que sabiam fazer de melhor e quem sempre ganhou com isso foi o público. Músicas memoráveis e atitudes que marcaram história. De alguma forma estranha ficou comum comparar Madonna a Michael, mesmo a Material Girl sendo contemporânea do Rei do Pop essa comparação tornou-se inevitável e muito, muito chata. Eles são artistas com objetivos artísticos diferentes, distintos; enquanto Michael queria "Heal the world" Madonna queria ir "Deepper and Deepper".
Após a passagem dos 2 pelo Brasil nunca mais fomos os mesmos. Pelo menos eu nunca mais fui o mesmo. Minha cabeça se abriu com a presença assustadoramente popular de Madonna e a partir dali, a partir daquele 6 de novembro de 93, ela ganhava mais um súdito fiel.Mas a coluna não é sobre isso, mas sim sobre o encontro dos gigantes por aqui.
Madonna, após o seu provocador The Girlie Show, deu uma parada com as polêmicas, resolveu adotar atitudes mais polidas e menos escandalosas. Lançou no ano seguinte o sono Bedtime Stories e sua carreira parecia ter dado uma guinada total. Uma Madonna serena tomou o lugar da devassa Dita e assim surgiu Evita, e veio a Lola, e a cabala e bla bla bla. Alguns dizem que ela se tornou uma chata de galocha, eu acho que ela era muito mais interessante quando jovem, rebelde, contestadora, mas tudo tem seu tempo, não é mesmo? Ela amadureceu e "tomou juízo".
Mas e aí, onde entra o Michael? E o encontro? Onde eles se encontraram afinal, no Masp ou na estação do Jabaquara?
Não, nada disso. Eles estiveram aqui no Brasil mas em períodos diferentes e não se encontraram de fato, não fisicamente, mas sim artisticamente. Depois desse encontro explosivo que fez do ano de 93 um dos mais ricos em termos de shows internacionais no Brasil, Madonna continuou sua carreira enquanto Michael... bom vocês sabem o que aconteceu com o Michael.
A genialidade não deve durar uma vida inteira e além do mais deve ser totalmente insuportável ser ou estar na pele dele por 1 segundo sequer. Imagina você ser o Rei do Pop desde a infância? Ele merecia um descanso sim e parece que o Brasil foi o cenário perfeito para que ele encerrasse seu período genial.
Mas e a Madonna? Ela continua, e ele não. Madonna é o máximo por isso? Não, ela não é o máximo por isso, ela apenas é mais forte que ele. Mais insistente, mais auto confiante.
Ponto para o Brasil, que reuniu 2 grandes estrelas e acompanhou a ascensão e o esfriamento de ambas.
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