A montanha russa Madonnica
por Romulo Araujo
Na coluna passada eu falei das sensações típicas de fãs ao esperar ansiosamente a primeira audição do novo trabalho de seu ídolo. Falei das expectativas e do frio no estômago ao se jogar de cabeça no desconhecido, no caso de Hard Candy, um novo som, uma nova atitude, um comportamento diferente. Quem viveu nos anos 90 a carreira de Madonna se acostumou com essas mudanças de atitude da estrela e o que afligiu mesmo foi a possibilidade dela estar se tornando uma cantora de rap americano. Hard Candy foi lançado e, para nosso alívio, Madonna continua fiel à sua dance music ritmada e cheia de suingue.
Ser fã de Madonna é - digo isso sem medo nenhum - estar sentado num carrinho de montanha russa ao lado dela. Nunca sabemos quando o carrinho vai subir ou descer, quando vai virar à direita ou à esquerda. Sempre estamos sujeitos a um grande looping, a uma virada sensacional que certamente vai ser divertidíssima.
Estou falando isso porque, pouquíssimas semanas depois de todo nervosismo do lançamento de Hard Candy nós fãs recomeçamos a roer nossas unhas - e nem deu tempo delas crescerem ainda - com o anúncio da nova Tour. Segura na mão da Madonna que o carrinho da montanha russa, mais uma vez, começa a se movimentar.
O anúncio oficial feito pelo site da própria Madonna foi feito no dia 08 de maio e já são especulados possíveis set-lists. Essa especulação é o carrinho subindo devagar, quando a tour começar e as músicas forem reveladas vai ser o carrinho descendo e dando um looping. Gostei dessa coisa de comparar a uma montanha russa.
"A Stick and Sweet world tour visitará, no final deste ano, o México e a América do Sul", anuncia em bom inglês o site oficial. Nossa, Madonna que acabar com a gente, não é possível! As datas para o final da tour ainda não foram divulgadas (pelo menos até o momento em que estou digitando essa coluna ainda não tinham sido anunciadas datas depois de novembro) mas a expectativa de ter Madonna em solo brasileiro é imensa.
Como vocês sabem bem existe a corrente de fãs que pensam sempre no bem e àquela que já pensa logo no pior e vai dizer "ela anunciou a Confessions na Australia e nem apareceu por lá" enquanto o pessoal do bem já diz "Madonna citou recentemente numa entrevista que tinha vontade de voltar ao Brasil. É nossa hora!". Qual dos dois lados vai vencer eu não sei. Se o do bem ou o do "mal", a grande verdade é que vamos ter que continuar segurando firmes na montanha russa até que sejam anunciadas as datas do final da tour.
Acho que poderíamos nos organizar para que o Brasil tivesse mesmo uma visibilidade nesse momento de escolha de itinerário e, aproveitando o interesse da própria produção em trazer o show para a América do Sul, deveríamos mostrar atitudes que nos diferenciasse, por exemplo, da Argentina. Sabemos que Madonna já possui uma relação com a Argentina mais próxima do que com o Brasil - ela filmou algumas cenas para Evita lá em Buenos Aires - então não seria a hora dessa gente bronzeada mostrar o seu valor?
Eu lancei uma campanha séria para que pudéssemos chamar atenção da mídia e da própria produção da Madonna mas, inacreditavelmente, ninguém aderiu. O que chama mais atenção: um abaixo-assinado virtual ou uma galera que expressa seu sonho e mostra a cara? Muitos disseram que era perda de tempo e pagação de mico. Quem quiser ver a minha proposta de campanha pode acessar nosso Forum. Ainda dá tempo de participar.
Na minha opinião a realização de nossos sonhos não tem preço, não tem medos, não tem vergonhas. Se Madonna tivesse medo ou vergonha de algo certamente ela não seria hoje o maior ícone cultural da nossa geração. Possivelmente seria uma dona de casa de 50 anos, moradora de Detroit, casada com um operário de uma das fábricas da região e coberta de filhos. Graças à coragem e ousadia dela que hoje estamos aqui comentando sua carreira de sucesso
Na próxima coluna vamos falar sobre o set-list dos nossos sonhos? Qual seria um set-list perfeito para essa tour? Vou tentar criar uma tour divertida e doce para vocês na próxima coluna!
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